Trilha Duplicada

Sunday, July 16, 2006

In pressão

"O ser humano, em determinado momento da vida,
manifesta-se em tristeza, sofrimento, dúvida, confusão e dor,
tais como os redemoinhos estão para o mar. Isso é "anormal"?
Respondo que não, que esses são apenas alguns movimentos possíveis.
O mergulhar na própria alma mostra que
todas as riquezas, os tesouros e brilhos continuam lá,
independente do movimento atual."

Quem respondeu de maneira tão humana e poética
foi a psicóloga clínica Laura Carmilo Granado, que
já atendeu pacientes psicóticos em hospital psiquiátrico
e trabalhou com dependentes químicos e carcerários.
Trecho tirado da revista Psique Ciência e Vida, nº 1.

A visita aos hospitais psiquiátricos mostrou-nos algo inimaginável, mundos outros não compreendidos, não aceitos, repudiados, mendigando um pouco de atenção e carinho em forma de dez centavos ou de aperto de mão à desconhecida. Sem palavras, alguns tinham apenas o ar dentro de si, repleto de sentimentos que não "conseguiam" se configurar em verbo. Sem palavras, ficamos nós, diante daquelas condições, que mais pareceu com aqueles sonhos que temos a noite inteira e de manhã só nos resta a angústia inexplicável.

1 Comments:

  • E depois de passar a tarde toda ali, com aquelas pessoas que necessitam de tanta ajuda, que necessitam de tanto amor .. que, apesar de ser gente, não são tratadas como tal, voltar pro nosso mundo foi um impacto.
    Lembro que fomos no carro praticamente mudas, algumas frases entrecortavam o silêncio, vontade de chorar ...
    A loucura crua agride. É tão fácil ler sobre "transtornos psiquiátricos", e é tão difícil quando se vê esses tais transtornos ali, em pessoas, misturados.
    Não consigo deixar de acreditar que existem muitos obsediados ali. Sei lá, foi tudo tão triste e chocante naquela tarde que até hoje falo disso com as pessoas.
    Enfim .. vou parando por aqui, voltar a estudar as psicopatologias "bonitinhas" no livro.
    Ah, e quanto ao trecho da revista, esqueci de comentar contigo. Quando tava lendo esse artigo, adorei essa parte! Achei tão poética a forma como ela colocou esses momentos de angústia e sofrimento que nos acomete de vez em quando. Aquela metáfora do mar e da tempestade caiu em cheio ao meu estado de espírito no dia da leitura. Lembra que eu tava te falando sobre uma tempestade e que eu estava esperando a calmaria?!
    Pois é!

    By Anonymous Anonymous, at 16 July, 2006 10:30  

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